Seja atrevido, não se arraste, olhe nos olhos e aprenda a desrespeitar!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Preciso saber...

Tenho que confessar que não estou totalmente confortável. Minha mente é racional não dedutiva. Preciso de dados palpáveis para SABER algo. E não tenho obtido o necessário para me manter tranquilo. Há vezes em que me questiono o que há comigo, o que eu tenho, o que te mantém aqui. E não, palavras não bastam. Ainda mais sabendo do quão sente falta dos rolês que fazia quando eu não estava por perto.
Eu também quero fazer coisas que eu fazia antes, mas quero que você me acompanhe, eu te incluo nos meus planos, pois tudo o que eu te disse é verdade.
Logo volto às minhas atividades normais, volto para o trabalho e, talvez para o estudo, mas como posso ficar tranquilo sem saber se você não está como gostaria?
Tenho tentado fazer o meu melhor, mas sempre fico com a impressão de não ser o suficiente. Onde estou falhando?
Estou cansado.
Preciso saber. Não posso deduzir. Não posso adivinhar. Preciso que me mostre e não apenas me diga.
O que posso fazer? Eu sou assim.
Não acredito em palavras, não tenho capacidade de dedução, menos ainda de adivinhar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Insônia e amnésia



Por conta da superlotação, tive que ficar três dias e três noites deitado numa maca estacionada no corredor da emergência do hospital.
As luzes nunca se apagam no corredor da emergência e o movimento de pessoas é intenso durante o dia e também durante a noite. Isso fez com que minha capacidade de dormir sumisse. E eu tentei. Muito. Fechava os olhos e esperava. Esperava, esperava. Mas, para uma pessoa que possui o sono leve, dormir ali é impossível. Eu olhava para outros pacientes ali no corredor durante a madrugada e ficava impressionado como dormiam bem. Uns até roncavam.
Quando conseguiram um leito num quarto para mim pensei que finalmente conseguiria dormir, mas não.
Na primeira noite em meu novo aposento, fiquei olhando fixamente para o teto. Uma enfermeira apagou a luz. Eu continuei a olhar para o teto pensando que o sono chegaria a qualquer momento agora que estava escuro. Comecei a pensar em coisas corriqueiras como fazemos antes de dormir. Pensei no meu trabalho, na minha doença, em pessoas que estavam me ajudando tanto naqueles dias, em pessoas que eu amava e até em pessoas que odiava no momento. Foi quando eu vi uma claridade na janela. E tentei não acreditar no que eu já havia deduzido. Estava amanhecendo. E eu sequer fechei os olhos.
Chegaram médicos, enfermeiras, funcionários da limpeza. Cada um exercendo sua função, fazendo o hospital acordar.
A tarde recebia visitas. Me trouxeram livros. O que era um alívio, considerando que não havia nada para se fazer ali e o tédio era constante.
Assim que fiquei sozinho de novo peguei um livro e comecei ler, feliz por ter algo com que ocupar a cabeça. Quem sabe com isso eu pegasse no sono a noite. Afinal, sempre leio antes de dormir. Não raras vezes acordei pela manhã com um livro aberto sobre o peito. Ler até dormir, essa era a ideia.
De repente uma enfermeira entra e diz:
- Você não vai dormir?
Olho no relógio e vejo que já são quatro horas da manhã e faltam apenas algumas páginas para terminar o livro. Engulo a frustração, termino o livro, apago a luz e fecho os olhos.
Finalmente consigo.
Percebo isso depois, claro.
A luz acende e a enfermeira me acorda para me medicar. Com um tom de desculpa diz:
- Ah, que pena. Justo agora que você conseguiu dormir.
Tomo o remédio e ela sai.
Então percebo que não faço a mínima ideia de onde estou. Fico sentado na cama. Olho ao redor e tudo me é estranho.
Não sabia quem era aquela enfermeira, não sei onde estou, nem por que estou ali, ou como cheguei até aquele lugar.
Não consigo me lembrar de nada. Nem meu nome.
Tenho a impressão que se tivesse um espelho na minha frente naquele momento não teria reconhecido meu rosto.
Passam-se cinco ou dez minutos, então eu olho ao redor. Estou num hospital. Como cheguei aqui?
Começo a me fazer perguntas e, conforme consigo responder, faço a pergunta mais óbvia me que parece e, assim, começo a retroceder e a lembrar de acontecimentos recentes. Leio meu nome na pulseira de identificação que estou usando. Por último lembro-me da vida que levava antes de ficar doente.
Paro e reflito sobre esse incidente. Uma amnésia de quinze minutos. Talvez seja uma manifestação da doença, ou a falta de sono. Olho no relógio. Faltam apenas alguns minutos para as cinco da manhã. Percebo que dormi apenas uns poucos minutos.
Deito novamente, olhos para o teto, ouço os médicos chegando e apenas digo baixinho:
- Merda!

A voz

Terça-feira à noite. Estação da Luz.
Os pés separados por uma pequena distância. Mochila no ombro esquerdo, segura por uma das mãos, a mochila que sempre o acompanha e a outra mão no bolso da jaqueta.
Espera. Sem grande interesse, observa os trilhos, perde-se em pensamentos. Afinal, tantas coisas aconteceram nesses anos. Lembra-se da infância e todo o percurso que o levou até seus vinte e seis anos. Crescer não foi tão legal quanto esperava. Não lhe prepararam para crescer, para mudar, para ser adulto. O prepararam para vencer, para ser o melhor, para ser especial e tudo de bom acontecer com ele. Sente-se enganado. Mentiram para ele a vida inteira. Seu pai, sua mãe, professores, todos, cada um com sua mentira. As coisas não aconteceram como disseram que aconteceria.
Espera.
Crescer não é tão legal.
O trem chega.
Ele observa as portas se abrirem automaticamente e sente algo estranho. Por um instante ele olha para as portas com o canto dos olhos, segue em frente e procura um lugar para sentar. Havia pouca gente no vagão. Senta-se próximo a uma janela e, com a mochila sobre as pernas, vasculha-a a procura de um livro. No entanto, esqueceu o livro em algum lugar, tenta lembrar, mas logo desiste e resolve continuar só com seus pensamentos, retomando aquele sentimento de decepção em crescer. Mas uma voz o tira violentamente do meio de seus pensamentos.
Ele olha ao redor, algumas pessoas dormem sentadas, outras leem. Procura entre os passageiros quem disse aquilo, mas todos parecem apenas esperar chegar sua vez de descer.
Achou tudo muito estranho, olhou pela janela para dentro da noite e mergulhou de novo em seus pensamentos.
Seu pai um dia lhe falou que ele poderia ser o que quisesse. Disse que teria filhos. Que ganharia dinheiro o suficiente para realizar seus sonhos. Parecia tão fácil nas palavras dele. Realmente, gostaria que fosse mais fácil.
Ouve de novo.
A mesma voz o pegou num sobressalto. Procura ao redor novamente, todos parecem sequer ter ouvido. Mas ele ouviu. Com certeza. Algumas pessoas entram no vagão e ele passa a sentir-se esquisito. De quem era aquela voz?
Sua mãe sempre lhe dizia que é especial. Único. E ele sentia que, por isso, que tudo aconteceria para ele. Mas as coisas não acontecem, ele precisa correr atrás, suar, se sacrificar para que tudo aconteça. Ele precisa fazer acontecer. Aos poucos aprendeu isso.
Dessa vez ele levantou do banco. A voz. Começa a encarar todos a sua volta. Nada. Senta-se de novo, um pouco envergonhado, algumas pessoas lançam olhares, sentiu-se muito estranho.
Segurava a mochila e, discretamente, olhava para os outros passageiros com desconfiança.
A voz aparecia e sumia. Dizia poucas palavras. A cada vez ele ouvia apertava mais a mochila contra o peito e encolhia no banco, tentando não demonstrar o pavor que começava a dominá-lo.
Aquela voz apareceu mais seis vezes. Já suava frio quando o trem diminuiu a velocidade e parou numa estação. Não aguentou. Levantou, correu em direção à porta e saltou para fora do trem. Desviou de algumas pessoas, atravessou a plataforma e, enquanto as portas de outro trem começam a se fechar, espremeu-se entre elas e sentou-se num banco ao fundo do vagão.
Respiração ofegante. Pensou: “Consegui”.
O trem parte, ele percebe que está sozinho no vagão e uma sensação de alívio passa por ele enquanto sua respiração começa a voltar ao normal.
De repente a voz de novo. Ele entra em pânico. Não consegue entender. O trem pára. As portas se abrem. Seus olhos arregalam-se a espera de quem alguém entre. Ninguém. Apenas o vento frio da noite. E o trem parte novamente.
A voz reaparece mais duas vezes e em cada vez seu medo aumenta e ele vê as portas se abrirem e pensa em sair do trem, mas hesita e elas se fecham. Na terceira vez ele mal espera a porta se abrir. Lança-se fora do trem, correndo, cambaleia, retoma o equilíbrio e tenta correr o mais rápido que pode. Sai da estação, tropeça na escada e cai de costas. Ainda no chão, olha para cima onde lê as palavras “Estação Jundiaí”.
Está em casa.

Baseado na música “Metrô” – Rogério Skylab

Disputa

Uma noite dessas resolvi ligar para minha amiga Ana que não via há algum tempo. Coincidentemente havia uma reunião de amigos na casa dela onde, entre os presentes, estavam outras pessoas que eu não via há bastante tempo. Ela me convidou para ir lá e rever todo mundo. Aceitei.
O papo estava bom até perguntarem a um amigo sobre sua saúde. Todos sabiam que ele havia passado por uma cirurgia recentemente e ainda estava se recuperando:
- Como você está agora Miguel?
- Estou bem, minha recuperação está sendo rápida e talvez meu tratamento seja mais leve daqui pra frente. Estou só esperando os resultados de uns exames...
 De repente foi interrompido por um cara que eu não conhecia que começou a falar da própria experiência:
- Ah passei um perrengue com a minha mãe, também. Uma noite fomos comer fora e, no dia seguinte ela acordou com uma dor na barriga muito forte e tive que correr com ela para o hospital. O problema era no pâncreas. Os médicos estavam quase desistindo dela. Ela se recuperou por pouco, mas ainda hoje ela... – O cara falava de uma maneira que fazia parecer que o rapaz havia tido só uma gripe.
Miguel ouviu o cara atentamente até que ela terminasse sem falar nada. Interromper as pessoas enquanto falavam sempre pareceu algo repugnante para ele.
Quando terminou de contar sobre a doença da mãe o cara se levantou e foi conversar com outra pessoa. A Ana então perguntou:
- Miguel, mas como aconteceu? Como você descobriu? Aliás, o que você teve?
- Eu comecei a me sentir um pouco fraco – começou o Miguel, de novo – e um dia eu fui trabalhar, mas quando cheguei lá todos que me olhavam me diziam para ir a um hospital, minha cara não estava boa, estava mal..
- Eu também passei mal no trabalho essa semana – era uma das amigas da Ana – eu trabalho na prefeitura e participei da organização do desfile militar do feriado nacional. O Sol estava muito forte durante o desfile e nos deixaram sem água. Acredita? Bebi água escondido que uma moça da outra equipe me deu. Tive que correr atrás de água para uma senhora grávida que estava lá quase passando mal, consegui dois copos de água pra ela. Uma vergonha. Ela só bebeu água por minha causa...
Meu celular tocou e saí para atender. Era outra amiga:
- Oi Renata, tudo bem?
- Bem, estou passando perto da sua casa, minha mãe está com visitas e não estou afim de ir pra lá agora.
- Eu não estou em casa. Estou na casa de uma amiga com um pessoal que não via há algum tempo.
- Ah tá, a gente se fala.
A mulher ainda falava do desfile, do calor e de como salvou a grávida dando-lhe copos de água. Meia hora mais tarde o celular toca de novo:
- Oi.
- Oi Renata.
- Estou no bar Tribos, tem uma banda legal tocando.
- Que bacana! Ainda estou aqui com uns amigos.
- Encontrei uns amigos aqui também. Está muito divertido aqui. Legal mesmo. A gente se fala depois, Tchau.
- Tchau.
Agora outra mulher falava sobre como sua vida foi difícil sem ter um pai.

Eu já sabia o que havia acontecido com o Miguel, fui visitá-lo no hospital e conversamos bastante. Foi uma barra, um período muito difícil pra ele. Mas percebi que ele não fazia questão de que as pessoas soubessem de tudo o que aconteceu, também não escondia, se alguém lhe perguntava ele contava tudo o que queriam saber. Mas ali ninguém queria realmente ouvir sobre o Miguel. As pessoas se dividiam em quem queria se autopropagandear, falar de si mesmo, chamar a atenção e tentar fazer com que todos achem sua vida tão interessante quanto ele mesmo achava, e quem apenas queria ouvir alguém falando para poder colocar sua importante opinião sobre o assunto que estivesse em pauta, seja ele qual for.
Fiquei pensando sobre como é escancarada essa disputa as pessoas por atenção, seja pelos acontecimentos em suas vidas, seja por seus pensamentos. Todos ali, exceto o Miguel, disputavam cada segundo da atenção dos demais, o que me fez chegar à conclusão de que não havia ninguém ouvindo, não havia diálogo, havia vários monólogos ocorrendo simultaneamente. Cada um tentando mostrar que sua vida é mais interessante ou mais intensa seja por dificuldade, tristeza, coragem, superação, qualquer coisa, seja por sua mente brilhante já nascida com a capacidade de discorrer e opinar sobre qualquer assunto que possa surgir.
É estranha essa necessidade das pessoas de mostrar que, de alguma forma, merecem estar em evidência, ser notado, pois suas vidas são especialmente diferentes, principalmente na intensidade das coisas. Se disser que sofreu, elas sofreram mais. Se disser que superou algo ruim, elas superaram coisa pior. Se disser que se divertiu, elas foram além da diversão. Se estiver bem, elas estão melhores. Se estiver mal, elas estão quase morrendo. Nada do que você faz é tão intenso quanto o que ocorre com elas. E elas precisam mostrar isso a você, não podem ficar por baixo nessa disputa, mesmo que você não esteja disputando. Elas precisam que você saiba o quão especiais elas são e que você jamais irá superá-las.
Comecei a ficar entediado com aquele jogo de “quem é mais que quem” e resolvi ir embora.
- Pode me dar uma carona? – disse o Miguel – também já vou.
- Claro, vamos lá.
No carro falei:
- Saiu cedo também, tem outro compromisso?
- Que nada, não aguentava mais aquele papo. Todo mundo se atropelando pra falar. Não aguentei.
- Somos dois então. Ninguém conversa, só ficam falando, falando, falando...
- Pois é.
- Tenho uns filmes do Chaplin em casa, tá afim de assistir?
- Claro. Adoro o Chaplin.


Chegar na Hora

Chegar na hora. Atrasar-se agora é sinônimo de importância. Não importa a ocasião, pode ser só tomar uma cerveja no buteco, a pessoa sempre chegará atrasada. E quanto maior o tempo de atraso, mais importante a pessoa se considera. Ao que parece, tornou-se bonito, fino, elegante não chegar na hora marcada. O que eu vejo como uma grande babaquice, além de uma grotesca falta de respeito. Pois se a hora marcada foi as nove, porque não chegar às nove? Qual a beleza em deixar o outro esperando?
E há sempre um argumento, uma desculpa, um motivo que você TEM QUE ENTENDER. A pessoa que espera sempre fica com o papel de ser compreensiva e, se não for, o atrasildo se acha no direito de se sentir magoado. E o errado e você que combinou de chegar as nove e chegou às nove.
Mas pior mesmo é quando nem desculpa tem. A pessoa acha normal e chega dizendo: “Ah, eu me atraso mesmo, nunca chego na hora, não sei o que acontece comigo, até já me acostumei.”. Acho difícil imaginar alguém mais filha da puta. Trabalhei com uma mulher que se atrasava para qualquer compromisso que marcávamos. Fazia isso com todos. Amigos, família, colegas de trabalho. Chegou atrasada ao almoço que marcamos entre os amigos do setor. Atrasou-se para a confraternização de fim de ano e levou consigo uma colega que havia lhe pedido carona. Marcamos de assistir a um jogo de futebol, ela apareceu no início do segundo tempo. Quando alguém chamava a atenção para o atraso ela sempre dizia a mesma coisa:
- Eu sempre me atraso. Nasci com mais de nove meses, até pra nascer eu me atrasei.
Claro que ninguém a via chegar atrasada ao trabalho nos dias que o chefe estava lá ou para qualquer compromisso no qual a maior interessada seria ela mesma. Eu observava isso de longe, sem mencionar palavra. Até um dia ela me falar:
- Já que todo mundo sabe que eu sou assim, deviam se acostumar, não acha Ti?
- Acho isso uma puta sacanagem, isso sim. Falta de consideração e respeito digno de um grande filho da puta.
Ela nunca mais falou comigo e todos ao redor acharam que eu peguei pesado demais com ela, apesar de dizer o que todos ali pensavam de verdade.
O mesmo fato observei em provas de vestibular, concurso público, etc. Parece que o mundo conspira para que a pessoa não chegue na hora marcada. Em qualquer prova desse tipo sempre haverá alguém chorando do lado de fora do portão, pedindo para a deixarem entrar, pois o ônibus quebrou, o metrô atrasou, furou o pneu do carro, o despertador não tocou, relógios quebrados, mães doentes, mortes na família, tudo resolve acontecer no dia da prova.
Lembro-me de uma jovem amiga que encontrei nervosa na rua:
- O que houve querida? – perguntei.
- Perdi o vestibular. Me atrasei. É foda, paguei cem paus na inscrição e por causa de dez minutos aqueles filhos da puta não me deixaram mais entrar naquela porra.
- Mas porque você se atrasou?
- Ah meu, cheguei tarde ontem e acordei atrasada, tive que sair correndo de casa.
- Mas se você sabia que precisava chegar mais cedo devia ter se programado.
- Ah meu, vou me sacrificar por causa de uma porra de prova vestibular?
- Não foi você que chegou três dias antes na fila para um show lá no Morumbi?
- Foi, queria garantir meu lugar.
Enfim, tirando raras exceções, você pode medir o grau de importância de um evento para uma pessoa pela hora em que ela chega.
Aprendi uma técnica legal para não ser injusto nesses casos com pessoas atrasildas. Claro que você precisa chegar na hora para usá-la. Após o horário marcado espera-se dez minutos, para qualquer pessoa. Passando-se esses dez minutos você atribui uma nota de zero a dez para a pessoa atrasada. Multiplique a nota por cinco. Eis o tempo que essa pessoa merece ser esperada. Caso a nota seja zero, você vai embora depois de esperar apenas os dez minutos, caso seja 10, você espera mais cinquenta minutos, totalizando uma hora de espera. Ninguém merece ser esperado mais de uma hora. Se passado todo esse tempo e a pessoa não chegar, pode ir embora pensando que essa pessoa que você considera nota 10, talvez não te considere tanto assim.
Agora, se você é um atrasildo, por favor, se marcou as nove, chegue as nove e não dê margem para que uma pessoa querida comece a achar você um grande filho da puta.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Copo por copo


Todos os dias ela chegava do trabalho e encontrava os copos sujos em cima da pia. Reclamava com o filho, reclamava com o marido e com quem estivesse na casa. Depois caminhava até a pia e lavava copo por copo. No dia seguinte a cena se repetia.
Um dia ela chegou com um sorriso no rosto. Um sorriso de satisfação. Colocou a bolsa sobre a mesa e olhou para a pia. Lá estavam os copos sujos. Sem dizer nada, pegou um copo por vez e atirou contra a parede. Houve um profundo silêncio nessa hora. Ouvia-se apenas o som do vidro estilhaçando e voando para todo lado. Espatifou copo por copo.
Quando acabou, pegou a bolsa e caminhou até o quarto sem dizer nada ainda com o sorriso de satisfação no rosto. Fechou a porta.
Então o filho disse:
- Se não tem copos, não tem copos sujos.
O marido olhou para ele e disse:
- Lave os pratos.

Insignificante.

Festa. Hora de socializar. Mas nunca fui bom nisso. Enfim, é difícil escapar, já que sou um ser humano e há quem goste da minha companhia.

Nessas condições a saída é beber. E bebi. Bastante. Bastante para mim que sou fraco pra bebida. Bebi pra me soltar e descontrair, pra perder a timidez. Bebi até fica tonto.
Saí porta afora e me sentei na calçada. Minha cabeça girava.
Girava.
Girava.
Deitei-me de costas e olhei para o céu. Estrelas, muitas estrelas. Contemplei, impressionado, aquele teto cheio de pontos luminosos. Maravilhoso.
Girava.
Lembranças vieram e entraram no carrossel da minha mente.
Planos para o futuro também não ficaram de fora.
E vi minha imagem ali deitado. Uma visão de cima. Me vi ali jogado, largado como um pedacinho de pano. Esquecido, quieto, imóvel.
Girava.
Olhava para minha imagem ali no chão e ela começou a diminuir.
Subindo.
Então eu vi toda a casa, a rua, o bairro, a cidade e eu muito pequenino lá em baixo, deitado. Apenas um pontinho.
Subindo.
Pude ver todo o continente e como as fronteiras desaparecem desse ângulo.
Então vi todo o Planeta Terra. Passei pela Lua e me senti um grão de pó esquecido na imensidão escura do cosmos. Percebi então o quão insignificante sou e que, perante o Universo, de nada vale minha existência. Viver ou morrer, não faz diferença. Nada muda a não ser para mim, insignificante pedaço de quase nada, um resquício de fuligem largado na calçada esperando por um vento que me levasse a algo que valesse a pena, pois nada mais fazia sentido e tudo me pareceu fútil e inútil.
Levantei e fui para dentro. Um amigo me questionou:
- O que fazia lá fora?
Abri um sorriso e disse:
- Morria.
O vento não veio.


Miguel Gonzales

O mistério do espelho


Tenho problemas com espelhos.
Não que eu seja uma criatura desagradável ao olhar. Também não sou um exemplo de beleza. Mas isso não tem nada a ver com meu problema com espelhos.
Espelhos me causam desconfiança. Não o espelho da minha casa, que eu uso pra fazer a barba, nesse eu posso confiar. Desconfio de espelhos em banheiros coletivos. Nos banheiros do trabalho, banheiros da faculdade, banheiros públicos, lá estão aqueles espelhos com aspecto inocente.  E exatamente esse aspecto que me causa desconfiança.
É tudo tranquilo demais. Às vezes você se encontra sozinho em frente a um espelho, com toda a privacidade que um banheiro pode oferecer. Situação propícia a lhe deixar a vontade para fazer tudo aquilo que não faria em público, mas não resiste em fazer quando está sozinho em frente a um espelho.
Quando me encontro numa situação assim, sempre desconfio. Meu primeiro pensamento é “Há uma câmera atrás do espelho.” Tenho a impressão de que um dia verei algum vídeo na internet de pessoas naquele mesmo lugar onde estou. Mas não eu, que sempre sou tão cuidadoso nesses assuntos importantes. Jamais me pegarão.  Sempre dou uma checada no que há atrás da parede onde o espelho está pendurado. Quase sempre é o banheiro feminino, mas quando se trata de uma sala onde não é possível saber o que há lá dentro meu pensamento é “Ahááá! Eu sabia.”.
Pode ser que seja apenas um depósito de produtos de limpeza, mas nunca se sabe.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Qual lado?



Hoje me perguntaram se sou de esquerda ou de direita. Na hora não entendi o motivo da pergunta e pedi que a pessoa me dissesse, no que ela respondeu:
" - Por que você é professor, então não pode ser de direita, olha só o que o PSDB fez com a Educação em São Paulo."
Tudo bem.
Eu realmente não sou de direita, mas não é por minha profissão. Claro que esse fato ajuda muito para meu sentimento de asco em relação ao PSDB e todo pensamento direitista. No entanto, mesmo que não fosse professor, eu não conseguiria apoiar e defender ideais ou partidos como PSDB. Não consigo entender, não me entra na cabeça esse tipo pensamento, é muito egoísta. Minha criação não me permite defender tal coisa.
Não vou relatar aqui tudo o que me incomoda na chamada Direita, ficaria muito repetitivo, pois ouvimos falar sobre isso o tempo todo (vide as revoltas e protestos contra o governo do Estado de São Paulo). Vou apenas dizer o que me incomoda mais:

O modo como tratam as questões sociais, onde o pobre é sempre o coitadinho que precisa de esmola. Ao invés de garantir uma educação de qualidade, fornecer ferramentas suficientes para que as pessoas desenvolvam uma autonomia intelectual e, dessa forma, possa exercer a cidadania e construir uma vida digna, onde possuem a capacidade de resolver seus problemas sem maiores transtornos, a solução proposta pela Direita é fornecer às pessoas mecanismos de alívio momentâneo, um "tempinho para respirar", enquanto o tempo passa, a vida passa e tem-se a impressão de que houve soluções e surgiram novas dificuldades, quando na verdade os problemas foram apenas maquiados.
A mesma direita começou essa divisão do Brasil em preto e branco. Afro-descentes de um lado, caucasianos do outro. O que é um absurdo em um país tão miscigenado como o nosso onde existem negros, brancos, indígenas, caboclos, cafuzos, mamelucos, mulatos, asiáticos e toda sorte de etnias e culturas. Cotas, mais um remendo que não soluciona o problema e ainda desclassifica uma parcela grande dos cidadãos.
Essa forma direitista de olhar para os problemas é o que mais me incomoda, portanto sou politicamente contra a direita. O que não me torna um filiado de partido algum da esquerda brasileira que, convenhamos, não é nenhum exemplo de boa conduta.
Os brasileiros estão com a visão muito limitada. Apenas duas opções são fornecidas: esquerda ou direita. Por isso a maior parte da população sente-se na obrigação de escolher uma das duas. Porém, há mais opções. Pode-se não escolher nenhum lado, por exemplo.
Eu não apoio a esquerda, pois tenho visto que as atitudes esquerdistas parecem-se muito com as da direita. Os ideais pregados são diferentes, são ótimos por sinal. Há toda a história de luta, ideologia, utopia, Marx, vermelho, etc. Militantes ostentando camisetas com o rosto do Che. Uma fama de revolucionários e tal. Mas olhando para a Câmara dos deputados não consigo dizer quem é direita e quem é esquerda. E não só pela aparência. Para exemplificar basta comparar as votações dos projetos para melhorias na educação, saúde, segurança, enfim, melhorias para a sociedade, depois as votações pelo aumento do salário dos próprios parlamentares. Não é necessário citar os valores, o que quero chamar atenção é para o número de deputados presentes nos dias de votação.

Não faz sentido escolher um lado nessas condições. Não existe esquerda ou direita, existe o lado de cima e o lado debaixo. O lado de cima é composto por quem possui o poder de impor suas vontades sobre os outros, por exemplo, os governantes, poder econômico, autoridades de grande influência, etc. No lado debaixo está a população. Há quem diga que a polícia está no lado de cima, pois tem certa autoridade sobre os demais, mas está no lado debaixo também. A autoridade dada à polícia faz parte do jogo de controle da população para que continue no lado debaixo, a polícia apenas não percebeu, ainda, que também faz parte da população.
Quando elegemos um candidato, estamos colocando-o no lado de cima, onde o poder cega.
O trecho abaixo, retirado de um poema em prosa esquimó iglulik, do início do século XX, ilustra bem o que estou dizendo:
“Dois homens chegaram a um buraco no céu. Um pediu ao outro ajuda para se erguer até a abertura... Mas era tão bonito no céu que o homem que espiou ela beirada esqueceu tudo, esqueceu o companheiro a quem tinha prometido ajudar a subir e simplesmente saiu correndo para entrar em todo o esplendor celeste.”

Afinal o político não governa para a população, governa para ele mesmo, para uma parcela da população que o apoia, governa para seus próprios interesses. Um exemplo atual disso é o deputado Marco Feliciano, o qual ataca sem hesitar grande parcela da população usando argumentos retirados de um livro antigo que foi copiado ao longo dos séculos e não tem comprovação de todos os fatos que estão lá, inclusive da existência de Noé, citado pelo deputado como amaldiçoador do ancestral dos afrodescendentes, fato que “explica” todas as dificuldades e atrocidades vividas por eles ao longo da história. ABSURDO!

Diante disso, me nego a escolher entre esquerda e direita. Escolho entre o que é bom e o que é mau. Escolho atitudes boas, intenções boas. Escolho manter-me fora do cenário repugnante em que está a politica brasileira.
Meu desejo é que tudo seja demolido e construído novamente, por novas mãos, chega dos mesmos nomes em todas as eleições. Há nomes circulando na política brasileira desde os anos 60. Que saiam todos e entrem novos e façam novos projetos, deum jeito novo, novas merdas, novos erros, novos acertos. Quem sabe isso não ajuda a melhorar um pouco esse cenário.
Enquanto esse dia não chega,sigo cantando aquela música do Aborto Elétrico:
“Você de esquerda, você de direita,
São todos uns babacas e velhos demais,
Vivendo em intrigas de tempos atrás.
Acabem com a merda e nos deixem em paz!
Verde e amarelo, verde e amarelo...”

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Fábrica de idiotas

Diariamente me perguntam sobre o mesmo tema: FUTEBOL.
E é foda porque não é um assunto que eu gosto. Eu não costumo assistir os jogos, não sei quem são os jogadores, não acompanho campeonatos, pelo simples motivo de não me sentir atraído por esse esporte, considero o endeusamento de jogadores uma coisa ridícula, a atitude de grande parte dos torcedores é escrota e a publicidade e, por conseqüência, a influência que exerce sobre as pessoas (principalmente os mais jovens) é algo estúpido, injusto e sem sentido.
E não adianta responder toda vez que eu não gosto de futebol, as pessoas sempre acham que eu mudei de ideia do dia para noite, pois são, quase sempre, as mesmas pessoas que me fazem essas perguntas, normalmente depois de algum jogo. Ao que parece a necessidade de comentar o jogo da noite passada com alguém é forte o bastante para puxar esse assunto com o primeiro que aparecer e todas as pessoas que encontrar no dia. Mas o pior não é ser incomodado todos os dias, quase sempre pelas mesmas pessoas (memória curta é uma bosta) e sim, depois de pacientemente explicar que futebol não é minha praia, ter que ouvir a frase: “Mas você tem que torcer pra algum time!”
Não, eu não tenho. E foda-se se você acha isso.

Claro que, quando eu tenho esse tipo de reação, muitas pessoas dizem que sou grosso, que estou me exaltando por pouca coisa. No entanto se tem algo que me irrita é alguém dizendo que eu TENHO que ser como ela. Costumo estender essa atitude para outros aspectos da vida, pois quem achar um absurdo eu não torcer por algum time, normalmente considera absurdas muitas outras coisas que eu faço ou deixo de fazer por serem diferentes de tudo aquilo que ela faz.
Eu não estou dizendo que você tem que parar de gostar de futebol. Estou dizendo que EU não gosto, não quero participar e não quero falar disso. Por que eu TENHO que gostar? Por que você gosta? Por que a maioria gosta? E daí? Por que eu TENHO que gostar do que a maioria gosta? Por que eu tenho que ser como você? Pense bem: se eu fosse seguir o seu exemplo eu estaria te dizendo para ser como eu. Duvido muito que você aceitaria numa boa. É a velha história das regras que só valem em uma direção, valem de lá pra cá, mas não valem daqui pra lá.

“Eu respeito sua opinião desde que você concorde comigo”

Sinto muito (mentira, eu não sinto), mas você não é um exemplo a ser seguido. O que não quer dizer que eu seja. Não sou. Nós somos pessoas diferentes, apenas. Pessoas diferentes, porém, com os mesmo direitos. Acho louvável que as pessoas respeitem-se mutuamente apesar de não concordarem umas com as outras. No entanto, a maioria não pensa dessa forma e, apesar de dizer o contrário, age como se todo mundo devesse ser como ela.

Eu não gosto de futebol porque não tenho motivos para gostar. Mas tenho vários motivos para não gostar. O principal deles é ver meus alunos deixando sua própria educação de lado para seguir o sonho de ser jogador de futebol. Alguns me dizendo que não precisam estudar, pois o jogador fulano de tal não estudou e ganha não sei quantos milhões só para jogar futebol. É triste, pois o tempo não pára, eles estão perdendo tempo com essa bosta, irão crescer e ver que tudo não passa de ilusão. Futebol encoraja os jovens a buscar vida fácil. Mas a vida não é fácil. A mídia só mostra os “sucessos” de pessoas que em NADA contribuem para a sociedade. Não mostram a história de pessoas que buscaram esse sucesso e se fuderam. Tendo que trabalhar em dobro, em serviços pesados e que ninguém quer. Encontrando-se em situação cada vez mais difícil, voltaram para a sala de aula para recuperar o tempo perdido. Enquanto seus colegas de escola já estavam firmando suas carreiras, eles ficaram para trás e tiveram que contentar-se em apenas imaginar como teria sido se seu sonho tivesse dado certo.

A mídia é uma fábrica de idiotas. E o futebol é uma das linhas de produção mais eficientes.

Então, me deixe fora desse assunto e não encoraje as crianças a esse fracasso.
E se você é um imbecil que acha que todo mundo tem que ser como você, espero que você morra numa briga de torcidas com uma garrafa de vidro enfiada na garganta.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Matar e roubar


“As pessoas não matam ou roubam porque a lei proíbe, mas porque têm uma linha religiosa”

 - Celso Russomano


Se você não mata ou rouba, enfim, não comete crimes apenas por medo de uma punição divina, por esperar uma recompensa ou simplesmente porque alguém te fala pra não fazer, você é um desgraçado, pestilento, filho da puta, lazarento, arrombado. Isso não é ser correto, isso é ser medroso ou desonesto. E, sinceramente, eu espero que, quando você for no banheiro da casa daquela pessoa que você quer impressionar, a descarga esteja quebrada e você perceba tarde demais.


Uma morte lenta para você!

domingo, 26 de agosto de 2012

Prioridades

O povo brasileiro já não se importa se está sendo roubado. Seja por políticos que praticam corrupção, seja por empresários que impõe preços abusivos aos seus produtos. O povo brasileiro não sabe mais definir o que é importante. Então não há revolta, efetivamente. Vemos algumas mobilizações organizadas pela internet, onde milhares de pessoas expõem o seu descontentamento, nas ruas o número cai para centenas e até algumas dezenas de pessoas. Basta ver o número de participantes na Marcha Contra a Corrupção, compare o número virtual e o real. Depois compare com o número de participantes na Parada Gay de São Paulo. Um evento exclusivo, que necessita de mobilização de vários departamentos públicos como a polícia, por exemplo, e o povo brasileiro paga sem reclamar e participa ainda. Vai para rua gritar frases “anti preconceito” quando a própria parada é um ato preconceituoso, exclusivista, fora os absurdos expostos no próprio evento.
Enquanto isso, esse mesmo povo, finge não ver o que acontece na câmara, no senado e na política de seu próprio município.
O que importa é poder gritar gol, pular carnaval e dar o rabo em paz!
Sinceramente, só lamento pelas pessoas conscientes que ainda alimentam esperanças disso tudo melhorar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Educação em Greve!!!

Educação em Greve!!!









Protesto de estudantes da Unifesp próximo ao metrô Santa Cruz em São Paulo

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A música do Papa


Rede Municipal de Cabrestos e Maracutaias S/A

Por Sidinei Aparecido Mascarenhas.

E daí?


Eu, pela manhã, com fones de ouvido e bastante sono, depois de ter estudado muito e dormido pouco numa noite curta e rápida. Pensando em como fazer para facilitar o aprendizado dos meus alunos sem diminuir a qualidade do ensino preparando-os da melhor maneira possível para que possam dar continuidade ao próprio desenvolvimento intelectual e orgulharem-se de fazerem parte do, cada vez menos popular, grupo de seres pensantes. Chega alguém do meu lado e toca meu braço, interrompendo minha linha de raciocínio. Quer me falar algo. Tiro calmamente um fone e faço cara de "Pois não?!" e escuto:

- Corinthans e Santos jogaram ontem.

A resposta foi espontânea:

- E daí?

 Foi tão espontâneo. Quem me conhece sabe que eu não dou a mínima para futebol e eu sei que alguns diriam "Mas quem não te conhece não sabe disso e não lê pensamentos" Ok, concordo, mas por que essa pessoa achou que eu gostaria de algo tão supérfluo? E, sinceramente, eu gostaria muito de acabar com essa "cultura futebolística" que não nos leva a lugar algum e, se prestarmos atenção, apenas fornece uma emoção temporária, desvia a atenção da população de assuntos importantes e tem gera gastos desnecessários para os cofres públicos. Tomara que esse tipo de coisa acabe ou ao menos diminua, e passemos nosso foco para assuntos que realmente nos acrescentem.



sábado, 19 de maio de 2012

Esse ano tem eleição.

Esse ano temos que separar um tempo para analisar candidatos.
Quero dar um ênfase na palavras CANDIDATOS. 
Pesquise sobre ele. Faça perguntas!
1- O que ele já fez em em prol da população? Nada? Então não é uma opção.
2- Quais projetos ele desenvolveu em mandatos anteriores? 
Nenhum? 
O que ele fez lá durante esses anos? 
Ah, tem projetos sim. Ótimo! Quais? Beneficiaram a população? Ou foi um desses projetos só para não poderem dizer que ele não fez nada? Por exemplo, mudar nomes de ruas. Projeto de verdade é na Educação, Saúde, Segurança, desenvolvimento do município, melhorias na qualidade de vida. Se o projeto dele não chega perto disso, ele está fora.
3- Ele já esteve envolvido em corrupção? Sim? Está fora, nesses cargos não pode existir segunda chace.
Há algo de suspeito na carreira política dele? Sim? Não vale a pena arriscar. Exclua da sua lista.
4- Ele é um candidato novo e é a primeira vez que concorre a uma eleição? Ótimo, precisamos mesmo renovar nosso quadro político. Não vamos excluir apenas por ele ser novo. No entanto, não vamos votar só por que ele é novo também. Pesquise! Analise! Quais são suas idéias? Elas são coerentes? Ou está só fazendo politicagem, falando o que "o povo quer ouvir". Ele sabe do que está falando? Pergunte! 
Analise seus candidatos e seja implacável!

Dei ênfase a palavra candidato, pois votar pelo partido não dá mais. Não existe mais ideologias nos partidos. Não existe mais esquerda e direita. Quando vemos figuras que disputavam a mesma cadeira, que em debates expunham todos os podres do rival, que berravam ao microfone todos os motivos pelo qual seu concorrente não devia ser eleito e agora apoiam a candidatura um do outro por conta de coligações entre seus partidos, a exemplo do mútuo apoio entre Collor e PT, coligações  PT-PSDB, percebemos que não existe ideologia alguma, o importante para eles é ganhar as eleições e conquistar o máximo de poder possível. Esse é o tipo de coisa que já vemos a anos com partidos como o PMDB que sempre apóia o lado vencedor desde os tempos da ditadura, mas isso está espalhando-se a todos os partidos.
Então, foco nos candidatos, se não achar nenhum, ANULO. 
Nunca fui de me ver obrigado a escolher o menos pior.
Talvez eu faça questão de pagar os três reais e pouquinho só para não sair de casa nesse dia.
Mas antes eu vou tentar, vou procurar um candidato que possa trazer algo de bom para o município.

Boa procura para todos nós!

domingo, 13 de maio de 2012

Resposta ao professor Vitor Nunes

Em resposta à “Análise” do professor feita na matéria: 

Prezado Professor Vitor,
Concordo que o “movimento” ateu é algo natural em uma sociedade plural e democrática, que ser ateu em meio a uma sociedade como a brasileira cause estranhamento e que deveria haver tolerância mútua para convivência pacífica.


No entanto, o senhor diz que “não concorda com o discurso da vitimização de quaisquer grupos que se consideram excluídos na sociedade”, gostaria muito de entender o que quer dizer com isso, pois ateus não se colocam como vítimas e coitadinhos, ateus não estão pedindo piedade da sociedade, apenas pedem respeito. Dizer que não há preconceito, como diz no fim de sua análise, é muito fácil. Falar do outro sem praticar a alteridade, a meu ver, é, de alguma forma, perigoso, dado que influenciará  o pensamento de muitos.  É muito fácil falar de um “não-lugar”. 


Gostaria de convidá-lo a fazer um experimento empírico. Passe um mês, em uma cidade onde as pessoas não lhe conhecem, vestindo uma camisa com dizeres do tipo: “sou ateu e exijo respeito”. Depois disso, escreva um artigo científico sobre o evento. Não posso afirmar, mas tenho a leve suspeita que seu conceito sobre preconceito e estranhamento iria mudar.

Ateus, ao se dizerem como tais, sofrem toda sorte de gracejos e piadinhas, quando não, de preconceito explicito. Nunca ouviu a frase: “ateu graças a deus, né?”, essa frase, por mais tola que pareça, tem a intenção de “diminuir” a importância da posição filosófica do ateu, dado que muitos teístas não conseguem conceber como uma pessoa pode não acreditar em deus. Outras formas de ataque ou ironia surgem quando dizem: “não existe ateu em avião caindo”. Por que não? É uma clara tentativa de fazer impor à sociedade a ideia de que ateus são uma postura covarde frente ao mundo, mas que diante de um perigo iminente eles voltam suas súplicas a deus. 


Outra frase de preconceito é a famosa: “é preciso ter fé para ser ateu”, não, não é preciso. Fé, segundo Hebreus 11:1 “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Nova Versão Internacional) e segundo o Houaiss é “confiança absoluta”, pois bem, ateus não tem certezas, eles tem pressupostos, sustentam aquilo que pode ser aplicado ao método científico, porém, estão completamente abertos a mudar seu paradigma mediante novas comprovações da ciência.   

Ateus são constantemente “ameaçados” com um inferno no qual não acreditam; somos chamados de amorais; questionam de onde vem nossa ética, dado que não acreditamos em deus; se tudo isso é só estranhamento e não é preconceito, preciso rever a semântica lexical dessas palavras. Mas, ao contrário, se dissermos “somos ateus graças ao não-deus”, isso soará pesado para qualquer teísta mais fervoroso, mas minha intenção com essa “frase exercício” é essa:, mostrar que essa forma de desrespeito é incômoda; ateus maduros não vão usar desse tipo de ironia. 


Não quero impor meu ateísmo a ninguém e respeito o direito das pessoas de acreditarem no deus que quiserem, pois, no mundo, idolatram-se mais de 300 milhões de deuses.

Existem ateus em aviões caindo e, também, na sociedade; não é preciso ter fé para ser ateu, basta ser; não somos “ateus graças a deus”, mas sim por termos inquietações e buscarmos respostas além daquelas mais fáceis ou dogmáticas.

Em seguida V.S.a afirma que “o movimento ou grupo deve se firmar pela solidez e relevância de sua mensagem, não por se colocar como vítima de um preconceito social” e que “para se consolidar, o movimento dos ateus deve mostrar as razões de sua significância social”.  Discordo desse ponto de vista, pois, ele parece escrito por alguém que fala de uma zona de conforto, de alguém que fala em nome de uma maioria e sabe que será apoiado naquilo que manifestar.

Querer comparar o ateísmo com o cristianismo não tem sentido, é apelar para a falácia da falsa analogia. Ateísmo não é religião, a palavra religião, como bem sabe, vem do grego religare, que significa “religação com o divino”. Não existe um “divino” para os ateus, portanto, não temos que demonstrar isso como o cristianismo faz há dois mil anos (inclusive, aqui, poderíamos ter um grande debate sobre essa relevância em certos períodos históricos). Tentar colocar os ateus na mesma “caixa” que organizações, entidades religiosas, instituições, movimentos sociais, é uma forma de impingir que mostrem a que vieram, é uma forma de constrangimento para que um grupo prove que pode se consolidar. 


Além do “movimento” ateu, sou ligado a estudos da causa de pessoas com deficiência e, historicamente, vejo que elas são vítimas de uma sociedade normalizadora. Entenda, professor, ateus, gays, negros, pessoas com deficiência, não tem que “mostrar as razões de sua significância social” para se consolidarem em sociedade.



Não, prezado professor, para que pessoas se consolidem na sociedade, elas só tem que ter uma característica: ser cidadãos. Os ateus são cidadãos e só isso lhes basta para que gozem ao direito de serem respeitados, afirmar o contrário é só mais uma forma pela qual o preconceito transparece. 

Respeitosamente.


Grupo dos ateus do ES no Facebook: https://www.facebook.com/groups/ateismoes