Seja atrevido, não se arraste, olhe nos olhos e aprenda a desrespeitar!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Qual lado?



Hoje me perguntaram se sou de esquerda ou de direita. Na hora não entendi o motivo da pergunta e pedi que a pessoa me dissesse, no que ela respondeu:
" - Por que você é professor, então não pode ser de direita, olha só o que o PSDB fez com a Educação em São Paulo."
Tudo bem.
Eu realmente não sou de direita, mas não é por minha profissão. Claro que esse fato ajuda muito para meu sentimento de asco em relação ao PSDB e todo pensamento direitista. No entanto, mesmo que não fosse professor, eu não conseguiria apoiar e defender ideais ou partidos como PSDB. Não consigo entender, não me entra na cabeça esse tipo pensamento, é muito egoísta. Minha criação não me permite defender tal coisa.
Não vou relatar aqui tudo o que me incomoda na chamada Direita, ficaria muito repetitivo, pois ouvimos falar sobre isso o tempo todo (vide as revoltas e protestos contra o governo do Estado de São Paulo). Vou apenas dizer o que me incomoda mais:

O modo como tratam as questões sociais, onde o pobre é sempre o coitadinho que precisa de esmola. Ao invés de garantir uma educação de qualidade, fornecer ferramentas suficientes para que as pessoas desenvolvam uma autonomia intelectual e, dessa forma, possa exercer a cidadania e construir uma vida digna, onde possuem a capacidade de resolver seus problemas sem maiores transtornos, a solução proposta pela Direita é fornecer às pessoas mecanismos de alívio momentâneo, um "tempinho para respirar", enquanto o tempo passa, a vida passa e tem-se a impressão de que houve soluções e surgiram novas dificuldades, quando na verdade os problemas foram apenas maquiados.
A mesma direita começou essa divisão do Brasil em preto e branco. Afro-descentes de um lado, caucasianos do outro. O que é um absurdo em um país tão miscigenado como o nosso onde existem negros, brancos, indígenas, caboclos, cafuzos, mamelucos, mulatos, asiáticos e toda sorte de etnias e culturas. Cotas, mais um remendo que não soluciona o problema e ainda desclassifica uma parcela grande dos cidadãos.
Essa forma direitista de olhar para os problemas é o que mais me incomoda, portanto sou politicamente contra a direita. O que não me torna um filiado de partido algum da esquerda brasileira que, convenhamos, não é nenhum exemplo de boa conduta.
Os brasileiros estão com a visão muito limitada. Apenas duas opções são fornecidas: esquerda ou direita. Por isso a maior parte da população sente-se na obrigação de escolher uma das duas. Porém, há mais opções. Pode-se não escolher nenhum lado, por exemplo.
Eu não apoio a esquerda, pois tenho visto que as atitudes esquerdistas parecem-se muito com as da direita. Os ideais pregados são diferentes, são ótimos por sinal. Há toda a história de luta, ideologia, utopia, Marx, vermelho, etc. Militantes ostentando camisetas com o rosto do Che. Uma fama de revolucionários e tal. Mas olhando para a Câmara dos deputados não consigo dizer quem é direita e quem é esquerda. E não só pela aparência. Para exemplificar basta comparar as votações dos projetos para melhorias na educação, saúde, segurança, enfim, melhorias para a sociedade, depois as votações pelo aumento do salário dos próprios parlamentares. Não é necessário citar os valores, o que quero chamar atenção é para o número de deputados presentes nos dias de votação.

Não faz sentido escolher um lado nessas condições. Não existe esquerda ou direita, existe o lado de cima e o lado debaixo. O lado de cima é composto por quem possui o poder de impor suas vontades sobre os outros, por exemplo, os governantes, poder econômico, autoridades de grande influência, etc. No lado debaixo está a população. Há quem diga que a polícia está no lado de cima, pois tem certa autoridade sobre os demais, mas está no lado debaixo também. A autoridade dada à polícia faz parte do jogo de controle da população para que continue no lado debaixo, a polícia apenas não percebeu, ainda, que também faz parte da população.
Quando elegemos um candidato, estamos colocando-o no lado de cima, onde o poder cega.
O trecho abaixo, retirado de um poema em prosa esquimó iglulik, do início do século XX, ilustra bem o que estou dizendo:
“Dois homens chegaram a um buraco no céu. Um pediu ao outro ajuda para se erguer até a abertura... Mas era tão bonito no céu que o homem que espiou ela beirada esqueceu tudo, esqueceu o companheiro a quem tinha prometido ajudar a subir e simplesmente saiu correndo para entrar em todo o esplendor celeste.”

Afinal o político não governa para a população, governa para ele mesmo, para uma parcela da população que o apoia, governa para seus próprios interesses. Um exemplo atual disso é o deputado Marco Feliciano, o qual ataca sem hesitar grande parcela da população usando argumentos retirados de um livro antigo que foi copiado ao longo dos séculos e não tem comprovação de todos os fatos que estão lá, inclusive da existência de Noé, citado pelo deputado como amaldiçoador do ancestral dos afrodescendentes, fato que “explica” todas as dificuldades e atrocidades vividas por eles ao longo da história. ABSURDO!

Diante disso, me nego a escolher entre esquerda e direita. Escolho entre o que é bom e o que é mau. Escolho atitudes boas, intenções boas. Escolho manter-me fora do cenário repugnante em que está a politica brasileira.
Meu desejo é que tudo seja demolido e construído novamente, por novas mãos, chega dos mesmos nomes em todas as eleições. Há nomes circulando na política brasileira desde os anos 60. Que saiam todos e entrem novos e façam novos projetos, deum jeito novo, novas merdas, novos erros, novos acertos. Quem sabe isso não ajuda a melhorar um pouco esse cenário.
Enquanto esse dia não chega,sigo cantando aquela música do Aborto Elétrico:
“Você de esquerda, você de direita,
São todos uns babacas e velhos demais,
Vivendo em intrigas de tempos atrás.
Acabem com a merda e nos deixem em paz!
Verde e amarelo, verde e amarelo...”

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Fábrica de idiotas

Diariamente me perguntam sobre o mesmo tema: FUTEBOL.
E é foda porque não é um assunto que eu gosto. Eu não costumo assistir os jogos, não sei quem são os jogadores, não acompanho campeonatos, pelo simples motivo de não me sentir atraído por esse esporte, considero o endeusamento de jogadores uma coisa ridícula, a atitude de grande parte dos torcedores é escrota e a publicidade e, por conseqüência, a influência que exerce sobre as pessoas (principalmente os mais jovens) é algo estúpido, injusto e sem sentido.
E não adianta responder toda vez que eu não gosto de futebol, as pessoas sempre acham que eu mudei de ideia do dia para noite, pois são, quase sempre, as mesmas pessoas que me fazem essas perguntas, normalmente depois de algum jogo. Ao que parece a necessidade de comentar o jogo da noite passada com alguém é forte o bastante para puxar esse assunto com o primeiro que aparecer e todas as pessoas que encontrar no dia. Mas o pior não é ser incomodado todos os dias, quase sempre pelas mesmas pessoas (memória curta é uma bosta) e sim, depois de pacientemente explicar que futebol não é minha praia, ter que ouvir a frase: “Mas você tem que torcer pra algum time!”
Não, eu não tenho. E foda-se se você acha isso.

Claro que, quando eu tenho esse tipo de reação, muitas pessoas dizem que sou grosso, que estou me exaltando por pouca coisa. No entanto se tem algo que me irrita é alguém dizendo que eu TENHO que ser como ela. Costumo estender essa atitude para outros aspectos da vida, pois quem achar um absurdo eu não torcer por algum time, normalmente considera absurdas muitas outras coisas que eu faço ou deixo de fazer por serem diferentes de tudo aquilo que ela faz.
Eu não estou dizendo que você tem que parar de gostar de futebol. Estou dizendo que EU não gosto, não quero participar e não quero falar disso. Por que eu TENHO que gostar? Por que você gosta? Por que a maioria gosta? E daí? Por que eu TENHO que gostar do que a maioria gosta? Por que eu tenho que ser como você? Pense bem: se eu fosse seguir o seu exemplo eu estaria te dizendo para ser como eu. Duvido muito que você aceitaria numa boa. É a velha história das regras que só valem em uma direção, valem de lá pra cá, mas não valem daqui pra lá.

“Eu respeito sua opinião desde que você concorde comigo”

Sinto muito (mentira, eu não sinto), mas você não é um exemplo a ser seguido. O que não quer dizer que eu seja. Não sou. Nós somos pessoas diferentes, apenas. Pessoas diferentes, porém, com os mesmo direitos. Acho louvável que as pessoas respeitem-se mutuamente apesar de não concordarem umas com as outras. No entanto, a maioria não pensa dessa forma e, apesar de dizer o contrário, age como se todo mundo devesse ser como ela.

Eu não gosto de futebol porque não tenho motivos para gostar. Mas tenho vários motivos para não gostar. O principal deles é ver meus alunos deixando sua própria educação de lado para seguir o sonho de ser jogador de futebol. Alguns me dizendo que não precisam estudar, pois o jogador fulano de tal não estudou e ganha não sei quantos milhões só para jogar futebol. É triste, pois o tempo não pára, eles estão perdendo tempo com essa bosta, irão crescer e ver que tudo não passa de ilusão. Futebol encoraja os jovens a buscar vida fácil. Mas a vida não é fácil. A mídia só mostra os “sucessos” de pessoas que em NADA contribuem para a sociedade. Não mostram a história de pessoas que buscaram esse sucesso e se fuderam. Tendo que trabalhar em dobro, em serviços pesados e que ninguém quer. Encontrando-se em situação cada vez mais difícil, voltaram para a sala de aula para recuperar o tempo perdido. Enquanto seus colegas de escola já estavam firmando suas carreiras, eles ficaram para trás e tiveram que contentar-se em apenas imaginar como teria sido se seu sonho tivesse dado certo.

A mídia é uma fábrica de idiotas. E o futebol é uma das linhas de produção mais eficientes.

Então, me deixe fora desse assunto e não encoraje as crianças a esse fracasso.
E se você é um imbecil que acha que todo mundo tem que ser como você, espero que você morra numa briga de torcidas com uma garrafa de vidro enfiada na garganta.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Matar e roubar


“As pessoas não matam ou roubam porque a lei proíbe, mas porque têm uma linha religiosa”

 - Celso Russomano


Se você não mata ou rouba, enfim, não comete crimes apenas por medo de uma punição divina, por esperar uma recompensa ou simplesmente porque alguém te fala pra não fazer, você é um desgraçado, pestilento, filho da puta, lazarento, arrombado. Isso não é ser correto, isso é ser medroso ou desonesto. E, sinceramente, eu espero que, quando você for no banheiro da casa daquela pessoa que você quer impressionar, a descarga esteja quebrada e você perceba tarde demais.


Uma morte lenta para você!

domingo, 26 de agosto de 2012

Prioridades

O povo brasileiro já não se importa se está sendo roubado. Seja por políticos que praticam corrupção, seja por empresários que impõe preços abusivos aos seus produtos. O povo brasileiro não sabe mais definir o que é importante. Então não há revolta, efetivamente. Vemos algumas mobilizações organizadas pela internet, onde milhares de pessoas expõem o seu descontentamento, nas ruas o número cai para centenas e até algumas dezenas de pessoas. Basta ver o número de participantes na Marcha Contra a Corrupção, compare o número virtual e o real. Depois compare com o número de participantes na Parada Gay de São Paulo. Um evento exclusivo, que necessita de mobilização de vários departamentos públicos como a polícia, por exemplo, e o povo brasileiro paga sem reclamar e participa ainda. Vai para rua gritar frases “anti preconceito” quando a própria parada é um ato preconceituoso, exclusivista, fora os absurdos expostos no próprio evento.
Enquanto isso, esse mesmo povo, finge não ver o que acontece na câmara, no senado e na política de seu próprio município.
O que importa é poder gritar gol, pular carnaval e dar o rabo em paz!
Sinceramente, só lamento pelas pessoas conscientes que ainda alimentam esperanças disso tudo melhorar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Educação em Greve!!!

Educação em Greve!!!









Protesto de estudantes da Unifesp próximo ao metrô Santa Cruz em São Paulo